CASA RAIZ

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TATA RIA INKICE ANANGUÊ....EMAIL:anangue@gmail.com...........

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

ORIGEM DE NGOLA DJANGA





 NENGUA SIAVANJU, KIWÁ, KIWÁ KAANGO (Grande senhora dos ventos da morte, salve Kaango!)

A ORIGEM DA CASA RAIZ DO BENGUÊ NGOLA DJANGA RIA MATAMBA ( KAANGO).
OBS: O nome Ngola Djanga é uma homenagem ao grande chefe angolano Gangazumba (tio de Zumbi) que junto com seus pares fundou lá na Serra da Barriga, na divisa entre os estados de Pernambuco e Alagoas, uma Angola de Além Mar,  com o nome de NGOLA DJANGA, quiçá, a mais importante frente de resistência, na época , contra o julgo da escravidão, a qual, os portugueses chamavam, pejorativamente  de Quilombo dos Palmares.

A FAMÍLIA NGOLA DJANGA que tem sua origem em Tatetu  Biolê de Inkoci, que embora raspado por Mam’etu Nanga Kovi, tomou obrigação com a saudosa Mãe Riso de Nilópolis (Kedenguambe), filha da também saudosa Idalice do Kuruzu (Kecicô), do MANSU BANDUQUENQUÉ  ou SOCIEDADE BENEFICIENTE  SANTA BÁRBARA, MATA ESCURA, SALVADOR,BA, Bate Folha), integrando-se assim, a família,  e  daí,  tirando o seu primeiro barco de muzenzas com mãe Riso de Nilópolis dando continuidade ao que aprendeu com ela, e seguido, até hoje, por todos os seus descendentes,   ou seja, quatro saídas, sendo o nome na terceira, já com  santo  de “cara limpa”, sem pinturas,  sem NGUZU MUTUÊ, KUTUNDA (oxo) e, sem TUKU  ( pena, acodidé). Voltando à sala, numa quarta e última saída para dançar vestido com sua roupa de gala . O barco  do hoje, Tata Ananguê foi criado pela saudosa KOTA MBELAI (Mãe criadeira), Koiady de Kaango, Filha de santo da, também, saudosa  Mame’etu Saundê que por sua vez era filha do Saudoso fundador do nguzo Tumbajunçara, Tata Siriáco. Por conseguinte, também foram incluídas no contesto do Indemburo, ( Roncó),algumas rezas de Tumbajunçara, ensinadas Mãe Koiadi.  
Máscara Kassanje.
O USO DA MÁSCARA (MUKANGE, NGONGO) NAS CERIMÔNIAS DE ORIGEM BANTU ANGOLA.

Pambunjila/Bombogira


Kalumbungu (Exprime a ideia de "encantamento"). Encantaemto em forma de mulher com a cabeça de crocodilo, surge em noite de lua cheia a beira dos pântanos e manguesais, vista como guardiã  daqueles locais

Máscara feminina.

Tata Maganza Ângelo de Katendê, Makota Sonja Asiwajo, artística plástica autora das obras apresentadas e Tata Ananguê

Tichipupu envultado  E da esquerda para a direita, Ogan Cacau, Tata Ãngelo de Katendê, Makota Sonja e Tata Ananguê.

E/d: Tata Ananguê, Professora Telma do Proeper da UERJ e Ogan Cacau.(Velha guarda da União da Ilha do Governador).
   Segundo o Professor e pesquisador da UERJ, Alfredo Ângelo, as máscaras ritualísticas e litúrgicas dos Kakongo, são chamadas nesse grupo de “NGONGO”, designação esta, que devido a grande influência dos povos Kioko, muitas das  vezes é substituída pela palavra “MUKISHI”, referência a palavra MUKISI” que expressa Divindade. O grupo dos Kakongos que habita a região do Alto Kanzar, confeccionam também, uma espécie de escultura bi face, que chamam de “UBANDJI”, que servem para guardar a entrada das casas, atuando como espíritos protetores, exatamente como os troncos rituais que ornamentam as casas de candomblé de origem Bantu nos dias atuais recebendo o nome de “ZAKAE-PANZU”, ligados ao culto da divindade “ABANANGANGA (NTEMBU)”, onde funcionam como guardiões daquelas casas contra os espíritos mal fazejos, bem como figuras antropomorfas (KAPONHA KALUNGA), que servem para presidir e auxiliar nas cerimônias de iniciação dos  AKISI/MINKISI, plural de MUKISI/INKISI, como são denominadas as divindades dos cultos angolanos e congoleses.
No dia 05/10/2013, NGOLA DJANGA, sentiu-se mais uma vez contemplada com a resposta positiva da sua Divindade Matriarca Mam’etu Kaango –, quando na casa (Inzo) descendente, comandada competentemente por seu dirigente, Tatetu Mukumbo Kitambo e sua esposa Auíza Londirê, filhos da saudosa Mametu Ibassimbê e Netos de Tata Ananguê, aconteceu o” KIJINGU IÁ NTANDE” (obrigação de sete anos) do seu filho Kaiadeji de Mame’etu Kaitumba. O jovem tatetu foi assessorado pela presença dos seus ” mais velhos”, liderados por Tata Ananguê, seguido das patentes de NGOLA DJANGA como as Kotas  mais antigas da casa, Makotas e Kambonos.  O ponto alto do batukajé, foi a entrada final na sala de Mam’etu Kaitumbá portando uma máscara ritualística de origem Lunda Kioko, conforme deve ser usada nos rituais de iniciação e continuidade de origem Bantu Angola. Marcante, também, foi a exemplar educação de nguzo (axé) demonstrada pelos inúmeros filhos de santo da casa não só para com os seus mais velhos, mas para com todos os presentes. Realmente, foi um belo momento da família reunida para homenagear Mametu Kaiá, kaitumbá, Kianda ou Kokueto, nomes dados a divindade dos oceanos, responsável pelas cabeças, pela fartura da flora e da fauna das águas salgadas. Controla, juntamente com a divindade Ktembu/Ndembu, os fluxos e refluxos das marés, bem como os maremotos. “KIWÁ KAIÁ,  MAMA’ETU IA AMAZE. KIWÁ! (Salve Kaiá, nossa mãezinha das águas salgadas. Salve!).
É!... , NGOLA DJANGA É ASSIM!  IGUAL A BOLO, QUANTO MAIS SE BATE, MAIS CRESCE. Nos espelhamos na força e resistência dos nossos ancestrais Gangazumba e Zumbi dos Palmares e  protegidos por nossas DIVINDADES CONSTRUTORAS, MANTENEDORAS, TRANSFORMADORAS E DEGRADADORAS, bem como,PELOS NOSSOS ANCESTRAIS, SEJAM DIVINDADES OU ANTEPASSADOS.
ATÉ AS ATITUDES NADA RECOMENDÁVEIS DE PESSOAS INSANAS, MENTIROSAS , INTRIGUENTAS QUE GARIMPAM AS LATAS DE LIXO DAS CASAS DE SANTO ALHEIAS, POIS NÃO SÃO DIGNAS DE TER A SUA INZO PRÓPRIA,   SE REVERTEM EM VITÓRIA A NOSSO FAVOR. OBRIGADO AOS AMIGOS PELO CRÉDITO, PORÉM, OBRIGADO, TAMBÉM,  AQUELES QUE SE INTITULAM NOSSOS INIMIGOS CONSIDERANDO-SE EXTREMAMENTE SABÍDOS (não sábios), AO PONTO DE PASSAREM TODO O SEU TEMPO BUSCANDO ERROS NOS OUTROS E EMITINDO CONCEITOS  DO CERTO OU ERRADO , BASEADOS EM QUE, NÃO SABEMOS, JÁ QUE NÃO POSSUEM NENHUM RESPALDO ACADÊMICO, COM BASE APENAS NA ORALIDADE.   POIS ELES, MESMO DE FORMA NEGATIVA,  NOS AJUDAM A CRESCER E CADA VEZ MAIS APRENDERMOS A ANALISAR O “ OUTRO” COM RELATIVISMO, RESPEITO E DIGNIDADE!
OBS: Nos referimos,  apenas,  a uma minoria,  cujo ideal é viver garimpando nas "latas de lixo" das casas de santo alheias, até por que pelas graças de NZAMBI,  não são dignas de ter a sua própria casa, daí, fica mais fácil viver de "prato feito", porque, jamais terão a sua própria. Lembram bem,  a ave conhecida como Tico-tico cujo destino (UFULAME) é colocar o seu ovo no ninho alheio, ou ainda como "barrigas de aluguel", também conhecidos como "pais e mães de santo à domicílio", até porque não têm o seu próprio chão ( LAMBURU). Mesmo assim se acham acima do bem e do mal ,  se oferecendo por aí,  para dar comida ao chão alheio. Mas, diz o velho ditado, QUEM DÁ O QUE NÃO TÊM, A PEDIR VEM! O pior é que fazem tudo isso,  muitas vezes, por pura, vingança, despeito, maldade e muito ódio no coração (MUCHIMA),  ou até mesmo por interesses sexuais  tentando denegrir ou destruir  a imagem daqueles  que realizam um trabalho sério e de expressão, religioso, político, econômico e social juntamente os nossos irmãos das outras nações de candomblé. Entretanto, as pessoas dignas das nações de Gêge, Ketu, Angola, Kongo, Kambinda, Efon e as demais de matriz africana,   bem como a nossa Gloriosa Umbanda, que podemos afirmar ser genuinamente brasileira, norteiam-se naquele velho ditado do deserto: OS CÃES LADRAM E A CARAVANA PASSA!

REFERÊNCIAS:
ANGELO,  Alfredo.Professor, pesquisador UERJ. 1997.  E.mail: katende@oi.com.br
CARNEIRO, Edson “Candomblés da Bahia”, Ed. De Ouro – 1948.
ASIWAJO, Sonja, Makota, Artista plástica. Exposição.  Nyamakare, UERJ/2013.
CARRISE, Iraci, A arte Negra na Cultura Brasileira: Máscaras africanas. Ed. Arte Nova, 1974.
JOHN M. Janzen, Ngoma: Discourses of Healing in Central and Southern Africa, University of California Press, Berkeley and Los Angeles, 19 92
MAIA, Da Silva, Antonio, Padre, Dicionário Complementar Português – Kimbundu – Kikongo, Luanda – Angola - 1961.
QUINTÃO, Luís, José, Gramática do Kimbundu, Escola Superior Colonial - 1934.
RAMOS, Arthur. “O Negro Brasileiro”, 1ª.  Ed. RJ, Biblioteca de Divulgação, setembro de 1934.
SCISÍNEO, Alaôr, Eduardo. “Dicionário da Escravidão”,  1ª.ªEd. RJ, Léo Christiano Editorial LTDA - 1997.
TAVARES, Lourenço, José, Gramática da Língua do Congo (Kikongo), missionário - 1934.
SILVA, Jeusamir Alves da Silva ( Tata Ananguê), “ Angola Nação Mãe – O Resgate do Candomblé Tradicional Bantu – Angola”, Ministério da Cultura – Fundação Biblioteca Nacional – pp: 06 – 226;