CASA RAIZ

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TATA RIA INKICE ANANGUÊ....EMAIL:anangue@gmail.com...........

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

KIZOMBA IA MAM’ETU KAANGO.



KIZOMBA IA MAM’ETU KAANGO.
NENGUA SIAVANJU, KIWÁ  KAANGO! (GRANDE SENHORA DOS VENTOS DA MORTE!)
A festa aconteceu de forma surpreendente, enigmática e carregada de muitas energias positivas que pareciam brotar do chão e cair do céu contemplando esta incansável luta pelo resgate da Cultura Tradicional Bantu Angola. Duraram mais de um mês os rituais de reforço de santificação e sacralização do solo e céu da inzo (casa) Raiz do Benguê NGola DJanga ia Matamba para que Mam’etu Kaango chegasse na sua casa, em seu verdadeiro estilo Bantu Angolano,  sob Nduílo (céu) e sobre Iungo (terra) cuidadosamente preparados com as mesmas características da terra mãe, Angola.
PAMBUNJILA, ALUVÁ/ALUVAIÁ ( divindade responsável pela formação do corpo humano ).

KILULU, guardião do caminho da inzo de PAMBUNLILA

TSHIZORI guardiões da inzo de PAMBUNLIJA.

TATA MANE OU MENE  que recebe o nome específico de ZAKAÊ PANZO, por ser o guardião da inzo de Tateto ABANANGANGA ( Ntembu), visto ao fundo.

TATA MANE IA MAM'ETU kAANGO

NGANGA ALUVÁ, PAMBUNJILA (Divindade rresponsável pela formação do corpo).
 Antes, porém, faz-se necessária uma breve explanação sobre a origem do uso da Mukange (máscara) como principal adorno de identificação dos Akisi/Minkisi (plural de Mukisi/Nkisi, Angola e Kongo respectivamente), nos rituais destas nações Bantu. Tem aumentado significativamente o número de tat’etus e mam’etus que estão engrossando as fileiras, na busca deste tradicionalismo que embora tenha atravessado o oceano atlântico, foi sufocado como tantos outros rituais bantu pelo catolicismo e, que para resistir até hoje, foi obrigado a aceitar os módulos de origem jeje/nagô para aqui representar seus akisi/minkisi, porque no ritual Bantu eles, através da Mukange (máscara)  tomam a aparência de espírito,  espectro ou sombra, duplo anímico, que recebe o nome qualitativo de TSHIZORI ( espírito), responsável pela condução da centelha divina, a forma de vida encarnada que permite a formação, o nascimento, crescimento e desenvolvimento dos seres.
MAM'ETU KAANGO SENHORA DOS VENTOS E DA MORTE, USANDO MAKANGUÈ (MÁSCARA) ENTRA NA SALA AO SOM DO RÍTIMO KABULA!

MAM'ETU KAANGO COM SUA SARDELA (vara de amoreira com o cabo castroado em palha da costa) 



MAM'ETU KAANGO ACESSORADA POR SUA MAKOTA DANDAMÊ.

MAM'ETU KAANGO CONDUZ OS MORTOS  PARA A SENZALA KASAMBE IA NZAMBI!

MAM'ETU KAANGO AJOELHADA COMO ESTRATÉGIA DE GUERRA

MAM'ETU KAANGO EMPUNHANDO SEU SABRE DE COBRE SIMBOLIZANDO A DEFESA DE SEUS FILHOS NA GUERRA.

 Em contrapartida os Orixás e Voduns, respectivamente nas nações de de Ketu e Jeje, tomam a forma humana usando em lugar de Mukange ( Máscaras), coroas e capacetes que regulam entre a época da Antiguidade e a época Medieval, nesta, predominou uma única Instituição que foi a Igreja Católica. A verdade é que não podemos ficar mais quinhentos e tantos anos, relegados ao ostracismo, já que estamos vivendo um grande momento de conquista de visibilidade do povo Bantu. Ainda temos em nosso meio alguns líderes que lutam contra o uso da Mukange máscara) nos rituais de iniciação ou reforços, bem como na interpletação de cantigas em português, tradicionalmente cantadas  em nossos rituais. Todavia, é claro que respeitamos este posicionamento, pois em sua maioria é causado pela falta de informação, ou até mesmo de opiniões formadas que alegam que este e outros rituais ficaram lá em na África e que só é Angola se cantar em Kimbundo ou Kikongo. A nossa opinião é que se lá ficaram é hora de buscá-los e, se aqui foram sufocados, é hora de resgatá-los e cantar cantigas em português faz parte do nosso ritual, até porque as línguas bantas em sua maioria foram traduzidas pelos padres capuchinhos que desde 1504 já viajavam para estas ex-colônias, hoje países lusófonos, ou seja, países que falam a Língua Portuguesa), para implantar o catolicismo e, por conseguinte, o Português como língua oficial. Tentar suprimir fatos como estes é querer alterar a Cultura de um povo espalhado por todo o Mundo. É preciso observar que tais atitudes, como por exemplo, erradicar as cantigas tradicionalmente cantadas pelas matriarcas do candomblé de Angola como  Maria Nenem e Mariquinha Lembá do Tombenci, bem como os saudosos Tatas Bernadino do Bate Folha e Siriáco do Tumbajunçara, podem até se caracterizarem como "crime" contra o Patrimônio Histórico Cultural Material e Imaterial desses países que buscam em sua evolução, a padronização da Língua Portuguesa para facilitar, principalmente, o intercâmbio comercial entre eles. É importante lembrar que este pacto está devidamente selado entre esses Governos através da Reforma Ortográfica realizada entre os mesmos em 2009.  Por isso, é que estamos sempre que possível, procurando passar informações acadêmicas combinadas com a oralidade dos nossos mais velhos para que gradativamente, tomemos conhecimento e apropriação do que é nosso, sem no entanto, ferir o nosso patrimônio cultural que por tanto tempo viveu na obscuridade.  Anterior a tudo isso não existia gramática, por tanto esse conceito de certo ou errado é pósgramatical. Precisamos analisar o nosso próximo com relativismo ou seja aceitando como ele é e procurando entender porque ele é assim, não devemos mais fazer uso do sistema implantado pelo europeu que considerava todo aquele que fosse diferente dele, como primitivo, burro, selvagem e que por isso tinha que ser escravizado, colonizado e catequisado ou morto. Deixemos um pouco, a vaidade de lado e vamos pensar coletivamente ao invés de pensarmos individualmente!  NÃO SÃO OS POVOS DE KETU OU JEJE E SUAS RAMIFICAÇÕES QUE NOS PREJUDICAM. ELES APENAS FAZEM USO DE UMA SITUAÇÃO AQUI JÁ ENCONTRADA. NA VERDADE, SOMOS NÓS ANGOLEIROS QUE USAMOS DE ARROGÂNCIA, MENOSPREZANDO UNS AOS OUTROS COM ESSA HISTÓRIA DE RAIZ,  ACHANDO A SUA,  MELHOR E SUPERIOR QUE A OUTRA. RAIZ É O MESMO QUE FAMÍLIA, E FAMÍLIA SE CONSTRÓI A PARTIR DA MAIORIDADE OU QUANDO SE CASA. NÃO PODEMOS CONTINUAR CONFUNDINDO FILHOS DIRETOS COM DESCENDENTES. É DA RAIZ QUEM FOI INICIADO PELO FUNDADOR DA MESMA (DONO) DE  CASA,  O  FUTURO FILHO DESSA PESSOA INICIADA (NO CASO, O FUTURO NETO)  JÁ SERÁ DESCENDENTE, POIS A SUA RAÍZ SERÁ A PESSOA INICIADA QUE ABRIU A SUA PRÓPRIA  CASA, PARA FAZÊ-LO. PARA QUE HAJA EVOLUÇÃO,  PROGRESSO E VISIBILIDADE PARA DA NAÇÃO DE ANGOLA É PRECISO QUE CADA CASA, ALÉM DE INICIAR SEUS ADEPTOS E SEGUIDORES, SE PREOCUPE, TAMBÉM COM TRABALHOS SOCIAIS JUNTO AS SUAS COMUNIDADES, DIVULGANDO AQUELA NOVA RAIZ JÁ QUE "CADA UM VALE QUANTO PESA", OU SEJA,  "CADA UM COLHE O QUE PLANTA". EM OUTRAS PALAVRAS: ASSUMIR OS SEUS PRÓPRIOS ERROS E ACERTOS,  EVIDENTEMENTE, SEM ESQUECER DE FRIZAR A SUA DESCENDÊNCIA ESPIRITUAL SEM CONTUDO, VIVER À SUA SOMBRA.  TOMEMOS COMO EXEMPLO UMA FAMÍLIA SANGUÍNEA ONDE O FILHO SE CASA E CONSTRÓI UMA NOVA FAMÍLIA E ASSIM SUCESSIVAMENTE. NÃO É SÓ DA SEMENTE QUE NASCE A RAIZ, PODE , TAMBÉM, NASCER DE UM CAULE OU DE UMA FOLHA!. QUEM MANDA AÍ, SÃO OS ELEMENTOS QUATERNÁRIOS: TERRA, ÁGUA, AR E FOGO. EX: O CAULE DA MANDIOCA, A RAMA DA BATATA, A FLOR DE MAIO E ETC, FINCOU NA TERRA OU COLOCOU NA ÁGUA, TAMBÉM, BROTA E DÁ RAIZ. É BOM QUE FIQUE AQUI, BEM CLARO QUE NÃO ESTAMOS QUERENDO TIRAR O MÉRITO DAS RESPEITÁVEIS RAÍZES MAIS ANTIGAS, MAS, É PRECISO QUE  CADA DONO DE CASA TENHA EM MENTE QUE A SUA CASA É UMA NOVA RAIZ DESCENDENTE DE OUTRA E COM ISSO PROCURAR CONSTRUIR E NÃO DESTRUIR OU ATÉ MESMO SE ACOMODAR VIVENDO E USANDO UM RÓTULO QUE NA VERDADE SÓ PERTENCE AQUELE ANTECESSOR QUE RALOU MUITO PARA ATÉ ALÍ CHEGAR.
Observemos a pergunta inteligentíssima doTata Katuvanjesi de Itapecirica da Serra em SP aos angoleiros do Brasil, com a qual, concordo em gênero, número e grau.   ___" O que é melhor compreensivo e adequado, paramentar o Orixá com um Adê (Coroa) utilizando para tal os apetrechos literalmente e visceralmente já caracterizando a tradição Yorubá-nagô, apelidando essas divindades de Nkisi ou paramentar o Nkisi com a sua indumentária e insígnia que pode ser Mukangê (Mascara), lança etc.? Até quando vamos continuar alimentando mentiras vergonhosas e apresentando desculpas deslavadas e insanáveis, orixalizando e nagotizando os Minkisi…? "  Tata Katuvanjesi em seu texto publicado em seu blog.

REFERÊNCIAS:
 RAMOS, Arthur. “O Negro Brasileiro”, 1ª.  Ed. RJ, Biblioteca de Divulgação, setembro de 1934.
RODRIGUES, Nina. “Os Africanos no Brasil”, 4ª. Ed. São Paulo: Cia Editora Nacional - 1976.
SCISÍNEO, Alaôr, Eduardo. “Dicionário da Escravidão”,  1ª.ªEd. RJ, Léo Christiano Editorial LTDA - 1997.
RIBAS,Oscar, Ilundo - 1958.
QUINTÃO, Luís, José, Gramática do Kimbundu, Escola Superior Colonial - 1934.
TAVARES, Lourenço, José, Gramática da Língua do Congo (Kikongo), missionário - 1934.
MAIA, Da Silva, Antonio, Padre, Dicionário Complementar Português – Kimbundu – Kikongo, Luanda – Angola - 1961.
NASCIMENTO, Pereira do, J, Dicionário Português – Kimbundu, Médico da Armada Real, explorador e naturalista - 1903.
SILVA,Alberto da Costa e. A manilha e o libambo. A Áfricae a escravidão de 1500 a 1700. Rio de Janeiro, Nova Fronteira/ 2002. P. 235.
COTRIM,Gilberto, Saber e fazer História.ed.Saraiva. são Paulo:2008.
ANGELO,  Alfredo.Professor, pesquisador UERJ. 1997.  E.mail: katende@oi.com.br
CARNEIRO, Edson “Candomblés da Bahia”, Ed. De Ouro – 1948.
JOHN M. Janzen, Ngoma: Discourses of Healing in Central and Southern Africa, University of California Press, Berkeley and Los Angeles, 1992
JAMES L. Newman, The Peopling of Africa: A Geographic Interpretation, Yale University Press, New Haven, 1995
SILVA, Jeusamir Alves da Silva ( Tata Ananguê), “ Angola Nação Mãe – O Resgate do Candomblé Tradicional Bantu – Angola”, Ministério da Cultura – Fundação Biblioteca Nacional – pp: 06 – 226;

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

III CONAPIR




III CONAPIR
Brasília e o mundo viveram por três dias,  momentos de magia, êxtase, euforia e ufanismo, ao reunir os povos tradicionais: Bantus, Gêje ou Fons, Nagôs ou Yorubás, Ciganos e Índios formadores do nosso Brasil. A gama de energias positivas afloravam a pele de cada uma dessas etnias, garantiam a certeza dos valores humanos, bem como, a incansável busca pelos seus ideais.
ACNCACTBB/CRBNDM  e  as casas afiliadas tendo como representante o Tata Ananguê, convidado da Ministra Luzia Barrios da SEPPIR, teve participação com direito a intervenção e voz, ocasião em que colocou mediante documento apresentado a mesa, os avanços conquistados pelo povo Bantu, bem como suas reivindicações abrangentes a todos os tradicionais de matriz africana, bem como aos índios e ciganos.
O destaque maior fica para nossa Presidenta Dilma Roussef, não só pelo cargo máximo que exerce, mas também, pelo carisma como pessoa e a emoção que deixou transparecer,  nos vários momentos de sua fala quando anunciava as boas novas para os povos tradicionais das diversas origens, que culminou com a sua quebra do protocolo, ao lançar-se no meio daquela multidão repleta de cores acercando-se dos líderes e liderados  diversos, comemorando juntos, mais esse avanço na luta pela DEMOCRACIA E DESENVOLVIMENTO SEM RACISMO POR UM BRASIL AFIRMATIVO, demonstrando mais uma vez que foi eleita para ser presidenta de todos. Foi um grande momento, digno de ser registrado na história. Além da beleza plástica daquele episódio transformado em aquarela emoldurada pelo dourado que emana de toda e qualquer pele brasileira, transformou-se em um quadro digno de fazer inveja a Debret, Portinari, ou a um Di Cavalcanti. Vejam as fotos.

Plenária III CONAPIR (Gison Negão e Tata Ananguê).

Tata Katuwanjeci ao lado de Tata Ananguê  e amigas.

Presidenta Dilma e Tata Ananguê
Presidenta do Brasil Senhora Dilma Rousseff com tata Ananguê.




Mesa com a Presença da Exma. Ministra da SEPPIR Luiza Bairros.

Tia Rosa (representante da baixada fluminense) e Tata Ananguê no segundo dia da CONAPIR em Brasília.

Presidenta Dilma e Ministra Luiza ladeada pelas autoridades representativas de diversos setores









Makota e Tatas de Angola

Tata Ananguê diretora Márcie e Ekedji do Ijexá.

Esta é a nossa satisfação para o nosso povo que pensa coletivamente.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

ORIGEM DE NGOLA DJANGA





 NENGUA SIAVANJU, KIWÁ, KIWÁ KAANGO (Grande senhora dos ventos da morte, salve Kaango!)

A ORIGEM DA CASA RAIZ DO BENGUÊ NGOLA DJANGA RIA MATAMBA ( KAANGO).
OBS: O nome Ngola Djanga é uma homenagem ao grande chefe angolano Gangazumba (tio de Zumbi) que junto com seus pares fundou lá na Serra da Barriga, na divisa entre os estados de Pernambuco e Alagoas, uma Angola de Além Mar,  com o nome de NGOLA DJANGA, quiçá, a mais importante frente de resistência, na época , contra o julgo da escravidão, a qual, os portugueses chamavam, pejorativamente  de Quilombo dos Palmares.

A FAMÍLIA NGOLA DJANGA que tem sua origem em Tatetu  Biolê de Inkoci, que embora raspado por Mam’etu Nanga Kovi, tomou obrigação com a saudosa Mãe Riso de Nilópolis (Kedenguambe), filha da também saudosa Idalice do Kuruzu (Kecicô), do MANSU BANDUQUENQUÉ  ou SOCIEDADE BENEFICIENTE  SANTA BÁRBARA, MATA ESCURA, SALVADOR,BA, Bate Folha), integrando-se assim, a família,  e  daí,  tirando o seu primeiro barco de muzenzas com mãe Riso de Nilópolis dando continuidade ao que aprendeu com ela, e seguido, até hoje, por todos os seus descendentes,   ou seja, quatro saídas, sendo o nome na terceira, já com  santo  de “cara limpa”, sem pinturas,  sem NGUZU MUTUÊ, KUTUNDA (oxo) e, sem TUKU  ( pena, acodidé). Voltando à sala, numa quarta e última saída para dançar vestido com sua roupa de gala . O barco  do hoje, Tata Ananguê foi criado pela saudosa KOTA MBELAI (Mãe criadeira), Koiady de Kaango, Filha de santo da, também, saudosa  Mame’etu Saundê que por sua vez era filha do Saudoso fundador do nguzo Tumbajunçara, Tata Siriáco. Por conseguinte, também foram incluídas no contesto do Indemburo, ( Roncó),algumas rezas de Tumbajunçara, ensinadas Mãe Koiadi.  
Máscara Kassanje.
O USO DA MÁSCARA (MUKANGE, NGONGO) NAS CERIMÔNIAS DE ORIGEM BANTU ANGOLA.

Pambunjila/Bombogira


Kalumbungu (Exprime a ideia de "encantamento"). Encantaemto em forma de mulher com a cabeça de crocodilo, surge em noite de lua cheia a beira dos pântanos e manguesais, vista como guardiã  daqueles locais

Máscara feminina.

Tata Maganza Ângelo de Katendê, Makota Sonja Asiwajo, artística plástica autora das obras apresentadas e Tata Ananguê

Tichipupu envultado  E da esquerda para a direita, Ogan Cacau, Tata Ãngelo de Katendê, Makota Sonja e Tata Ananguê.

E/d: Tata Ananguê, Professora Telma do Proeper da UERJ e Ogan Cacau.(Velha guarda da União da Ilha do Governador).
   Segundo o Professor e pesquisador da UERJ, Alfredo Ângelo, as máscaras ritualísticas e litúrgicas dos Kakongo, são chamadas nesse grupo de “NGONGO”, designação esta, que devido a grande influência dos povos Kioko, muitas das  vezes é substituída pela palavra “MUKISHI”, referência a palavra MUKISI” que expressa Divindade. O grupo dos Kakongos que habita a região do Alto Kanzar, confeccionam também, uma espécie de escultura bi face, que chamam de “UBANDJI”, que servem para guardar a entrada das casas, atuando como espíritos protetores, exatamente como os troncos rituais que ornamentam as casas de candomblé de origem Bantu nos dias atuais recebendo o nome de “ZAKAE-PANZU”, ligados ao culto da divindade “ABANANGANGA (NTEMBU)”, onde funcionam como guardiões daquelas casas contra os espíritos mal fazejos, bem como figuras antropomorfas (KAPONHA KALUNGA), que servem para presidir e auxiliar nas cerimônias de iniciação dos  AKISI/MINKISI, plural de MUKISI/INKISI, como são denominadas as divindades dos cultos angolanos e congoleses.
No dia 05/10/2013, NGOLA DJANGA, sentiu-se mais uma vez contemplada com a resposta positiva da sua Divindade Matriarca Mam’etu Kaango –, quando na casa (Inzo) descendente, comandada competentemente por seu dirigente, Tatetu Mukumbo Kitambo e sua esposa Auíza Londirê, filhos da saudosa Mametu Ibassimbê e Netos de Tata Ananguê, aconteceu o” KIJINGU IÁ NTANDE” (obrigação de sete anos) do seu filho Kaiadeji de Mame’etu Kaitumba. O jovem tatetu foi assessorado pela presença dos seus ” mais velhos”, liderados por Tata Ananguê, seguido das patentes de NGOLA DJANGA como as Kotas  mais antigas da casa, Makotas e Kambonos.  O ponto alto do batukajé, foi a entrada final na sala de Mam’etu Kaitumbá portando uma máscara ritualística de origem Lunda Kioko, conforme deve ser usada nos rituais de iniciação e continuidade de origem Bantu Angola. Marcante, também, foi a exemplar educação de nguzo (axé) demonstrada pelos inúmeros filhos de santo da casa não só para com os seus mais velhos, mas para com todos os presentes. Realmente, foi um belo momento da família reunida para homenagear Mametu Kaiá, kaitumbá, Kianda ou Kokueto, nomes dados a divindade dos oceanos, responsável pelas cabeças, pela fartura da flora e da fauna das águas salgadas. Controla, juntamente com a divindade Ktembu/Ndembu, os fluxos e refluxos das marés, bem como os maremotos. “KIWÁ KAIÁ,  MAMA’ETU IA AMAZE. KIWÁ! (Salve Kaiá, nossa mãezinha das águas salgadas. Salve!).
É!... , NGOLA DJANGA É ASSIM!  IGUAL A BOLO, QUANTO MAIS SE BATE, MAIS CRESCE. Nos espelhamos na força e resistência dos nossos ancestrais Gangazumba e Zumbi dos Palmares e  protegidos por nossas DIVINDADES CONSTRUTORAS, MANTENEDORAS, TRANSFORMADORAS E DEGRADADORAS, bem como,PELOS NOSSOS ANCESTRAIS, SEJAM DIVINDADES OU ANTEPASSADOS.
ATÉ AS ATITUDES NADA RECOMENDÁVEIS DE PESSOAS INSANAS, MENTIROSAS , INTRIGUENTAS QUE GARIMPAM AS LATAS DE LIXO DAS CASAS DE SANTO ALHEIAS, POIS NÃO SÃO DIGNAS DE TER A SUA INZO PRÓPRIA,   SE REVERTEM EM VITÓRIA A NOSSO FAVOR. OBRIGADO AOS AMIGOS PELO CRÉDITO, PORÉM, OBRIGADO, TAMBÉM,  AQUELES QUE SE INTITULAM NOSSOS INIMIGOS CONSIDERANDO-SE EXTREMAMENTE SABÍDOS (não sábios), AO PONTO DE PASSAREM TODO O SEU TEMPO BUSCANDO ERROS NOS OUTROS E EMITINDO CONCEITOS  DO CERTO OU ERRADO , BASEADOS EM QUE, NÃO SABEMOS, JÁ QUE NÃO POSSUEM NENHUM RESPALDO ACADÊMICO, COM BASE APENAS NA ORALIDADE.   POIS ELES, MESMO DE FORMA NEGATIVA,  NOS AJUDAM A CRESCER E CADA VEZ MAIS APRENDERMOS A ANALISAR O “ OUTRO” COM RELATIVISMO, RESPEITO E DIGNIDADE!
OBS: Nos referimos,  apenas,  a uma minoria,  cujo ideal é viver garimpando nas "latas de lixo" das casas de santo alheias, até por que pelas graças de NZAMBI,  não são dignas de ter a sua própria casa, daí, fica mais fácil viver de "prato feito", porque, jamais terão a sua própria. Lembram bem,  a ave conhecida como Tico-tico cujo destino (UFULAME) é colocar o seu ovo no ninho alheio, ou ainda como "barrigas de aluguel", também conhecidos como "pais e mães de santo à domicílio", até porque não têm o seu próprio chão ( LAMBURU). Mesmo assim se acham acima do bem e do mal ,  se oferecendo por aí,  para dar comida ao chão alheio. Mas, diz o velho ditado, QUEM DÁ O QUE NÃO TÊM, A PEDIR VEM! O pior é que fazem tudo isso,  muitas vezes, por pura, vingança, despeito, maldade e muito ódio no coração (MUCHIMA),  ou até mesmo por interesses sexuais  tentando denegrir ou destruir  a imagem daqueles  que realizam um trabalho sério e de expressão, religioso, político, econômico e social juntamente os nossos irmãos das outras nações de candomblé. Entretanto, as pessoas dignas das nações de Gêge, Ketu, Angola, Kongo, Kambinda, Efon e as demais de matriz africana,   bem como a nossa Gloriosa Umbanda, que podemos afirmar ser genuinamente brasileira, norteiam-se naquele velho ditado do deserto: OS CÃES LADRAM E A CARAVANA PASSA!

REFERÊNCIAS:
ANGELO,  Alfredo.Professor, pesquisador UERJ. 1997.  E.mail: katende@oi.com.br
CARNEIRO, Edson “Candomblés da Bahia”, Ed. De Ouro – 1948.
ASIWAJO, Sonja, Makota, Artista plástica. Exposição.  Nyamakare, UERJ/2013.
CARRISE, Iraci, A arte Negra na Cultura Brasileira: Máscaras africanas. Ed. Arte Nova, 1974.
JOHN M. Janzen, Ngoma: Discourses of Healing in Central and Southern Africa, University of California Press, Berkeley and Los Angeles, 19 92
MAIA, Da Silva, Antonio, Padre, Dicionário Complementar Português – Kimbundu – Kikongo, Luanda – Angola - 1961.
QUINTÃO, Luís, José, Gramática do Kimbundu, Escola Superior Colonial - 1934.
RAMOS, Arthur. “O Negro Brasileiro”, 1ª.  Ed. RJ, Biblioteca de Divulgação, setembro de 1934.
SCISÍNEO, Alaôr, Eduardo. “Dicionário da Escravidão”,  1ª.ªEd. RJ, Léo Christiano Editorial LTDA - 1997.
TAVARES, Lourenço, José, Gramática da Língua do Congo (Kikongo), missionário - 1934.
SILVA, Jeusamir Alves da Silva ( Tata Ananguê), “ Angola Nação Mãe – O Resgate do Candomblé Tradicional Bantu – Angola”, Ministério da Cultura – Fundação Biblioteca Nacional – pp: 06 – 226;